FORTES E OUSADAS: conheça a história de Grace O’Malley, a primeira pirata dos mares e símbolo da liberdade na Irlanda

“Eu sou a rainha do mar”. Filha do grande capitão Owen O’Malley, Grace (1530-1603) se tornaria a primeira pirata dos mares, chegando a liderar um exército de 200 homens e lutando contra as leis da Inglaterra. Grace se apaixonou pelo mar muito cedo e decidiu que viveria navegando, o que não foi nada fácil. Quando contou seus planos ao pai, ele riu e a proibiu, alegando que seu esplendido cabelo ruivo ficaria preso no mastro do navio.

Grace cortou sua lindas e longas mechas vermelhas, vestiu calças e prometeu a si mesma que seria a melhor de todos a bordo da embarcação. Impressionado com a audácia da filha, o capitão aceitou, sempre aos risos, mas ela passou a atravessar os mares com o pai e o irmão.

Grace se casou pela primeira vez aos 16 anos, seu marido, Donald O’Flahetyrs, a acompanhava nas viagens e admirava sua astúcia, competência náutica e estratégia militar. Conhecedora das correntezas, ela falava vários idiomas: latim, francês, espanhol, grego e gaélico. Como não frequentara escola, é provável que tenha se instruído com tutores e, principalmente, seu pai. Viúva após 19 anos de casamento, com o primeiro marido morto em uma batalha, Grace logo se casaria pela segunda vez, ao todo teve quatro filhos.

Apenas uma mulher disputava com ela poder e carisma na época: Elizabeth 1ª, a grande rainha da Inglaterra. Criada na corte, cercada por conselheiros e habituada a manipulações políticas, Elizabeth tivera uma infância oposta à de Grace.

Muitas lendas falam do encontro das duas, que após uma longa conversa em latim, Elizabeth devolveu à Grace terras que lhe haviam sido tomadas e libertou seu filho e irmão da prisão. Em troca, Grace concordou em usar sua liderança para defender a rainha de seus inimigos na terra e no mar. Depois disso, ambas passaram a trocar cartas que expressavam uma amizade marcada por rivalidade, respeito e identificação.

Grace viveu até os 73 anos, o que era muito raro naquele tempo. Sua vida se tornou símbolo de liberdade na Irlanda e inspirou inúmeros poemas, lendas e canções.

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