FORTES E OUSADAS: conheça a história de Maria Sibylla, uma naturalista e ilustradora científica alemã

“Recolhi todas as lagartas que pude encontrar para ver como elas mudavam.” A alemã Maria Sibylla Merian (1647-1717) foi uma naturalista e ilustradora científica que estudou plantas e insetos e fez pinturas detalhadas sobre eles. Foi uma das primeiras naturalistas a observar os insetos diretamente.

Era filha do gravurista Matthäus Merian, que morreu quando ela tinha três anos. Mais tarde, o padrasto Jakob Marell, famoso por suas pinturas de flores, ensinou-lhe como desenhar e pintar. Aos 13 anos, ela pintou seus primeiros quadros de insetos e plantas, baseando-se nas espécimes que recolhia.

“Na minha juventude, passei meu tempo a investigar insetos. No início, comecei com bicho da seda e percebi que lagartas produziam lindas borboletas ou mariposas, os bichos da seda faziam a mesma coisa. Isso levou-me a recolher todas as lagartas que eu pudesse encontrar, para ver como elas mudavam.”

Aos 18 anos casou-se com um pintor especializado em arquitetura, Johann Andreas Graff. Dois anos depois, nasceu sua primeira filha, Johanna Helena.

Acreditava-se na época que os insetos e as larvas eram resultado de geração espontânea na lama em putrefação, crença que remontava a Aristóteles. Mas Maria perguntava-se como poderiam surgir belas borboletas a partir daquelas lagartas. Estudou então a metamorfose, os detalhes das crisálidas e as plantas que alimentavam as lagartas, ilustrando todas as fases desse desenvolvimento em seu caderno de desenhos.

Esse caderno é o fio condutor de seu primeiro livro, publicado quando tinha 28 anos, em 1675, sob o nome de ‘Neue Blumenbuch’ (Novo livro de flores). Nele, apenas flores são reproduzidas de forma detalhada.

Em 1678 nasceu Maria Dorotha, a segunda filha de Maria Sibyla. Um ano depois, ela publicou o livro ‘Der Raupen wunderbare Verwandlung und sonderbare Blumennahrung’ (A transformação milagrosa de lagartas que estranhamente comem flores). Esta publicação apresenta os diferentes estágios do desenvolvimento das várias espécies de borboletas sobre as plantas de que se alimentam.

Em 1699, Merian viajou para o Suriname Holandês para estudar e registrar os insetos tropicais. Ela trabalhou por dois anos viajando pela colônia e desenhando animais e plantas locais. Ela gravou nomes nativos para as plantas e descreveu usos locais.

Por causa de suas observações cuidadosas e documentação da metamorfose da borboleta, ela é considerada como uma das contribuições mais significativas para o campo da entomologia.

Maria Sybilla morreu aos 70 anos, no dia 13 de janeiro de 1717, em Amsterdam, na Holanda. Até hoje, vários quadros da artista estão em exposição em coleções acadêmicas em São Petersburgo, na Rússia.

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