FORTES E OUSADAS: conheça a história de Maud Wagner, a primeira mulher reconhecida como tatuadora dos EUA

“Mais uma tatto!” Maud Wagner (1877-1961) foi a primeira mulher reconhecida como tatuadora nos Estados Unidos. Era artista de circo (trapezista e contorcionista) e trabalhou em diversos espetáculos que viajavam o país. Em 1904, em uma dessas viagens para apresentação como trapezista, ela conheceu Gus Wagner, ​​um tatuador que se promovia como “o homem artisticamente mais marcado na América”. Gus tinha 264 tatuagens e quando a viu, ficou encantado. Maud aceitou um encontro romântico proposto por ele, caso Gus a ensinasse a tatuar.

Alguns anos mais tarde eles se casaram. Juntos, eles tiveram uma filha, Lovetta, que começou a tatuar quando tinha nove anos! Ao contrário de sua mãe, porém, Lovetta não se tornou uma “cobaia” para testar o trabalho de seu pai. Maud havia proibido o marido de tatuar a filha. Anos depois, Gus morreu e Lovetta decidiu que, se ela não podia ser tatuada pelo próprio pai, ela não iria ser tatuada por nenhuma outra pessoa. Mesmo assim, ela seguiu os passos da família: virou tatuadora, mas nunca teve uma tattoo em seu corpo.

Como uma aprendiz de seu marido, Maud aprendeu a técnica tradicional chamada de “handpoked”, no qual o desenho é criado ponto por ponto sem o uso de máquinas, totalmente artesanal, mesmo depois de já terem inventado a máquina elétrica. Depois de deixar o circo, Gus e Maud viajaram por todo os Estados Unidos, trabalhando como tatuadores e como tatuados. Ambos como “atrações” em casas de shows, feiras e salões de jogos. Maud tinha desenhos patrióticos e animais na pele, como macacos, borboletas, leões, cavalos, cobras, árvores, mulheres, além de ter seu próprio nome no braço esquerdo.

A história cultural da tatuagem em mulheres é complicada. Na metade do século XX, as que tinham arte no corpo eram vistas como atrações circenses, símbolos de desvio e de rebeldia, e eram colocadas até em exposição. A ideia tomou uma outra forma quando as pin-ups começaram a se tatuar. Mesmo assim, eram vistas ainda como rebeldes, mas também, como mulheres de atitude, dando espaço para a feminilidade e para o feminismo, ao “tomarem conta de seu próprio corpo”.

Maud faleceu aos 83 anos, sem ter visto a queda do preconceito na tatuagem, coisa que tanto almejava. Mesmo assim, ela deixou um fantástico legado para a história.

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