FORTES E OUSADAS: Conheça Ruth Bader, símbolo do pensamento mais progressista da sociedade americana e um ícone pop.

“Nenhuma lei ou política deveria negar às mulheres plena cidadania…”

Ruth Bader Ginsburg nasceu no bairro de Flatbush, no Brooklyn, em Nova York, em 1933, de pais imigrantes judeus. Depois de se formar na Universidade de Cornell em 1954, ela se casou com Marty Ginsburg e, pouco depois, teve seu primeiro filho. Enquanto estava grávida, foi “rebaixada” no trabalho, em um escritório de assistência social. O fato de ter tido o salário reduzido na época – a discriminação contra mulheres grávidas ainda era legal nos anos 50 – a levou a esconder sua segunda gravidez anos depois.

Em 1956, ela se tornou uma das nove mulheres matriculadas na Faculdade de Direito de Harvard – onde, em um episódio que depois ficaria famoso, o reitor provocou as estudantes pedindo que justificassem o fato de terem “tomado o lugar” que seria dos homens na instituição.

Formou-se em Direito e, apesar de ter sido a melhor da classe, teve que lutar para conseguir emprego. “Nenhum escritório de advocacia em Nova York me contrataria”, disse certa vez. “Eu era judia, mulher e mãe.”

Ela acabou virando professora na Universidade de Rutgers, em Nova Jersey, em 1963, onde ministrou algumas das primeiras aulas de mulheres e Direito, e foi co-fundadora do projeto de direitos das mulheres na União Americana pelas Liberdades Civis.

Em 1973, se tornou assessora geral dessa organização, o que deu início a um produtivo período de atuação em casos de discriminação de gênero, seis dos quais a levaram diante da Suprema Corte dos Estados Unidos.

Ela ganhou cinco dos casos que defendeu na época, incluindo o de um homem que reivindicava a pensão da esposa falecida após o parto. Também foi nessa época que trabalhou no caso de uma capitã da Força Aérea que havia engravidado e a quem haviam mandado escolher entre abortar o bebê ou perder o emprego.

O presidente Bill Clinton a nomeou para a Suprema Corte em 1993, após um longo processo de escolha. Ginsburg se tornou a segunda mulher indicada à mais alta Corte dos Estados Unidos. Um dos casos mais importantes de que participou no tribunal foi o chamado Estados Unidos versus Virginia, que anulou a política de admissão apenas de homens ao Instituto Militar da Virgínia.

Ao explicar sua decisão, Ginsburg argumentou que nenhuma lei ou política deveria negar às mulheres “plena cidadania, a mesma oportunidade de aspirar, alcançar, participar e contribuir com a sociedade em função de seus talentos e habilidades individuais”.

A internet acabou se debruçando sobre vários aspectos da vida de Ginsburg, profissionais ou não. A intensa rotina de exercícios da juíza é um desses temas: em um quadro em seu talk show, o comediante Stephen Colbert chegou a acompanhá-la na academia e a treinar junto com ela.

Ruth tem sido celebrada por seu estilo, desde a sua predileção por luvas de renda até seus elaborados “jabots”, os colarinhos que ela usa sobre suas túnicas – incluído aí seu famoso “colarinho da divergência”, que ela usa em alguns dos casos em que discorda da maioria.

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