Fortes e Ousadas: conheça Kate Sheppard, ativista da conquista do primeiro voto feminino no mundo

“Não pense que seu voto único conta pouco. A chuva que esfria a terra árida é feita de gotas únicas.” Em 1893, Kate Sheppard (1848-1934) conseguiu reunir a assinatura de 32 mil mulheres para que o parlamento local aprovasse o direito ao voto delas. O documento tinha 270 metros de comprimento, garantiu que as mulheres da Nova Zelândia pudessem votar e inspirou movimentos parecidos ao redor do mundo.

Katherine Wilson Malcolm nasceu em Liverpool, no Reino Unido, mas foi criada e educada na Escócia. Seu pai, Francis Malcolm, foi descrito como um banqueiro e advogado. Em 1869, Kate veio para a Nova Zelândia com sua mãe e irmãs. A família estabeleceu-se em Christchurch onde Kate, dois anos mais tarde, casou-se com Walter Allen Sheppard, um membro do primeiro conselho de cidade de Christchurch.

Desde cedo foi ativa no trabalho social e liderou a campanha de voto feminino. Ela preparava e distribuía folhetos, correspondia com simpatizantes na Nova Zelândia e no exterior, escrevia cartas à imprensa e incitava os ramos das reuniões da igreja, e debatia as sociedades para discutir o assunto da franquia feminina. Tudo em uma época em que a comunicação era muito mais difícil; também ela corria o risco de ser presa, simplesmente por defender seu ponto de vista. Nessa época revolucionária era extremamente perigoso expressar sua opinião, principalmente se fosse mulher. Elas simplesmente não tinham direito de falar em sua defesa, a tribuna para elas era inacessível.

Mesmos com todas as dificuldades, em 1888 preparou a primeira das cinco petições parlamentares, rezando para que a definição de “eleitor” na Lei Eleitoral fosse alterada para incluir as mulheres. A segunda e a terceira petições, em 1890 e 1891, levaram mais de 10.000 assinaturas, e a quarta, em 1892, mais de 20.000. A campanha ganhou força e a petição de 1893 obteve o número recorde de 31.872 assinaturas, que era quase um terço da população feminina adulta da Nova Zelândia.

Grande parte dos parlamentares ainda se mostravam irredutíveis, mas a Lei Eleitoral com a alteração desejada finalmente obteve a maioria. Em 19 de setembro a lei recebeu a sanção do governador e, nas eleições gerais daquele ano, as mulheres de Nova Zelândia exerceram pela primeira vez o voto. A Nova Zelândia se tornou o primeiro país a dar direito ao voto feminino.

Mesmo com esta vitória, ela continuou lutando nos anos seguintes por outros direitos, como a liberdade para mulher pedir divórcio e ter a guarda dos filhos, o fim da obrigatoriedade do uso do espartilho, além de conseguir o direito para que mulheres praticassem atividades físicas.

Em viagem à Grã-Bretanha e no continente europeu, Kate conheceu muitos líderes do feminismo, muitas das quais incentivadas pela sua presença, fizeram grandes progressos na luta pelos direitos das mulheres em toda Europa. Ela não somente marcou a história da Nova Zelândia, mas marcou a história do mundo.

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