Fortes e Ousadas: conheça Lella Lomardi, a única mulher a pontuar na Fórmula 1

“Eu prefiro ter um acidente a me apaixonar. Aqui está como eu amo correr.” A italiana Lella Lombardi (1941-1992) não foi simplesmente uma pilota, ela entrou para a história do automobilismo internacional. Ela é até hoje a única mulher a marcar pontos no Campeonato Mundial de Fórmula 1.

Diferente de outros tantos pilotos do automobilismo pelo mundo, Lella não era filha de pais ricos ou com conhecimento no mundo do esporte a motor. Nascida na cidade italiana de Frugarolo, no Piemonte, era filha de um açougueiro e uma dona de casa. Reza uma lenda antiga, mas não confirmada, que Lella se interessou pelos carros ao ser levada ao hospital certa vez quando criança, após se machucar durante um jogo de handebol, por uma ambulância em alta velocidade.

Numa entrevista dada nos anos 1970 para a revista ‘People’, Lella deixou claro que era uma fissurada por carros de corrida. Disse que suas primeiras memórias de fazer carros era com coisas que tirava da máquina de costura da mãe, depois empurrando aquilo pela cozinha de casa. Isso aos quatro anos de idade. Aos oito decidiu o que queria da vida: guiar carros. Ainda menina, ouviu de um padre local que ela tinha que passar para passatempos femininos. Concordou, mas ignorou solenemente.

Antes de ser reconhecida com pilota, trabalhou como mensageira de um piloto de rali. Conseguiu se tornar copilota em rali e fez força para convencê-lo a guiar o carro numa oportunidade. Até que conseguiu – e venceu a prova. Aí a carreira de pilota enfim deslanchou. Conseguiu comprar um Monza de segunda mão para correr a F-Monza. Ainda no final dos anos 1960, guiou na categoria, depois na F3 Italiana, ganhou a F850 e a F-Ford México antes de ingressar na F 5.000, em 1974.

No ano seguinte, porém, foi convidada para testar para a March. Assinou como pilota titular da equipe após duas corridas naquele ano. Um dos fundadores da March, o depois presidente da FIA Max Mosley falou sobre como foi contratar Lombardi. “Colocar uma mulher num cockpit da F1 significava quebrar várias tradições. Claro, minha esposa falava que a única razão pela qual eu estava hesitando era o sexo de Lella, não dúvidas quanto a habilidade. No final das contas, acho que minha esposa estava certa.”

Logo na segunda prova, a primeira da temporada europeia, pontuou. Fez mais um top 10 naquele ano, na Alemanha. Para encerrar o ano, fechou com a Williams para o GP dos Estados Unidos. Classificou, mas não largou. Culpa de um problema no sistema de partida do carro.

Voltou à March no ano seguinte e depois ingressou na RAM. Embora tenha regressado ao grid no ano seguinte, o fechamento da RAM em 1976 significou o final da carreira de Lella na F1. Mas a carreira de Lella estava longe de acabar. Foi correr as 400 Milhas de Daytona na Nascar, se tornou depois a primeira mulher a ganhar corrida no Campeonato Mundial de Endurance, e emendou outra vitória, nas 6 Horas de Vallelunga, ainda no mesmo ano. Disputou as 24 Horas de Le Mans mais de uma vez e seguiu a carreira de pilota até a segunda metade dos anos 1980. Lella morreu vítima de um câncer, aos 51 anos.

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *