Fortes e Ousadas: conheça Maria Reiche, uma germano-peruana que dedicou sua vida à arqueologia

 

“Só tenho um arrependimento: não ter tido filhos. As crianças são as únicas que têm os olhos puros para ver a verdade”. Maria Reiche (1903-1998) nasceu em Dresden, na Alemanha. Foi a mais velha de três irmãos e, depois de uma infância feliz, pôde estudar matemática, física e geografia na Universidade Técnica de Dresden e Hamburgo, onde se graduou em 1928.

Seu desejo de viver fora do seu país por algum tempo a levou em 1932 a aceitar um trabalho como tutora privada dos filhos do cônsul da Alemanha em Cusco, no Peru. Antes que terminasse o contrato de quatro anos, viajou à capital, Lima, onde trabalhou como tradutora e professora de inglês e alemão, antes de conseguir um cargo de restauradora de tecidos pré-colombianos no Museu Nacional do Peru.
Viajou para lá pela primeira vez em dezembro de 1941. Praticamente recém-formada pela Universidade de Hamburgo, foi convidada por Kosok para ser sua assistente de trabalho e observar aquelas figuras que só podiam ser vistas em sua totalidade a partir do ar. Depois daquela primeira visita, a jovem alemã se apaixonou pelo lugar, e, apesar de ter ido embora pouco tempo devido às restrições da Segunda Guerra Mundial, voltou de novo em 1945, e não abandonaria mais o deserto até sua morte; Kosok, aliás, deixou o Peru em 1948, mas Reiche, sozinha, continuou com as pesquisas e os mapas sobre as figuras de Nazca.

Maria Reiche se apaixonou pelo deserto e a ele deu sua vida. Dedicou-lhe sua existência solitária: pesquisando, elucubrando, descobrindo, limpando, cuidando e conservando algo que passou de mistério indecifrável e desconhecido pela maioria a atração turística visitadíssima. Na imensidão da planície peruana havia linhas geométricas impossíveis de entender, mas às quais a cientista alemã se empenhou em dotar de significado.

Sentada numa escada de mão, munida de fita métrica, bússola, escova, caderneta e uma mente matemática, Reiche mediu quase 50 figuras e mil destas linhas, além de pesquisar sua orientação astronômica. Descobriu que muitas das chamadas Linhas de Nazca guardam relação com o solstício do verão e elaborou teorias sobre o significado das figuras como calendário astronômico. Chegou à conclusão de que eram destinadas a fixar os ciclos e as mudanças climáticas nas sociedades agrárias da civilização nazca. Hoje, entretanto, e apesar do debate ainda existente, a crença majoritária indica que as linhas tinham um propósito mais cerimonial e cultural do que científico.

O resumo numérico da matemática indica que, ao traçar o mapa da área investigada com a ajuda da Força Aérea Peruana (450 quilômetros quadrados), ela descobriu que as figuras representam 18 diferentes tipos de animais e aves, além de centenas de figuras e formas geométricas.

Mas, além do seu uso, a questão que mais intriga e que continua sendo difícil de explicar é como os antigos moradores desse pampa peruano realizaram os geoglifos numa escala tão grande, a ponto de só poderem ser completamente apreciados por via aérea. Esse enigma também deu lugar a teorias extraterrestres que só fizeram aumentar o número de visitantes, apesar da carência de comprovação científica.

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