Jogo de roleta pode ajudar na inclusão de alunos

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E se você tivesse um material pedagógico para sua turma de alfabetização que fosse realmente inclusivo, que todos os alunos pudessem usar juntos e ao mesmo tempo? Essa é a proposta do projeto Materiais Pedagógicos Acessíveis, lançado pelo Instituto Rodrigo Mendes (IRM) no portal Diversa, que consiste em uma série de recursos desenvolvidos por educadores para auxiliar o processo de ensino-aprendizagem em turmas compostas por estudantes com e sem deficiência.

Um desses materiais, a Roleta Silábica (saiba mais sobre o projeto aqui), foi desenvolvido em uma escola da zona sul de São Paulo, a EMEF CEU Três Lagos, pela professora Sandra Graziano, a professora da sala de recursos Karina de Souza e a coordenadora pedagógica Ana Paula Ferreira.

O projeto foi concebido para apoiar a alfabetização de estudantes do 2º ano da escola, em 2018. Era uma turma com estudantes com dificuldades de aprendizagem e um aluno com hipótese diagnóstica de Transtorno do Espectro autista não verbal. O objetivo do material pedagógico era avançar com o processo de alfabetização de uma forma que todos os estudantes da classe pudessem participar juntos.

“Era uma turma que já estava alfabetizada no 2º ano, mas algumas crianças tinham muita dificuldade. Todos estavam alfabéticos, alguns já tinham iniciado a alfabetização na leitura e na escrita e ele (o aluno com hipótese diagnóstica de Transtorno do Espectro autista), nem som tinha”, conta a professora Sandra Graziano.

O que é?

Para apoiar a alfabetização desses estudantes, foi criado o material pedagógico Roleta Silábica, que possibilita a associação de respostas orais, visuais e táteis para ampliar as possibilidades de percepção. Esse material pode ser manipulado pelas crianças de forma autônoma e cooperativa e, por ser uma atividade lúdica, gera o envolvimento dos alunos.

Como funciona?

A roleta consiste de uma caixa de MDF, cortada a laser. No centro da parte superior da caixa foi fixada uma seta giratória e, em volta, em círculo, foram encaixados pequenos círculos de acrílico para acomodar as sílabas escolhidas, que serão iluminadas por pequenas lâmpadas de LED. Para jogar os estudantes são divididos em duplas. Cada dupla usa uma cartela com sílabas e palavras diferentes. Um estudante roda a seta para sortear uma sílaba. Quem vence é a dupla que marcar todas as sílabas que formam as palavras da sua cartela. Os estudantes podem buscar as palavras formadas no texto da história que está sendo trabalhada naquele dia.

Luzes e atenção

De acordo com a professora Sandra, a roleta com suas luzes chamou a atenção do aluno com transtorno do espectro autista.

“Quando chegou a vez dele, ele foi até lá, girou e pronunciou a sílaba, sentou de volta na mesa dele, a estagiária ajudou. O fato de ele estar participando junto com os demais e a roleta ter ajudado a desenvolver uma atividade que era de atenção, de localização, foi muito bom.”

Sandra já não está mais na EMEF CEU Três Lagos, agora ela trabalha na EMEF José Maria Pinto Duarte, na zona oeste da capital paulista. Mas ainda se informa sobre o aluno de sua antiga turma e recebe vídeos mostrando as atividades do estudante.

“Nesse ano eu descobri que ele já estava inclusive montando palavras, o que me deixou muito feliz”, conta.

Fonte: Nova Escola

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